Definitivo ... por Martha Medeiros

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...

Martha Medeiros


Filha de José Bernardo Barreto de Medeiros e Isabel Mattos de Medeiros,Martha Medeiros é colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro. Casou-se com o publicitário Luiz Telmo de Oliveira Ramos e tem duas filhas, Júlia e Laura. Estudou num dos mais tradicionais colégios de Porto Alegre, o Nossa Senhora do Bom Conselho, no bairro Moinhos de Vento. Formou-se em1982 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.
Trabalhou em propaganda e publicidade, mas logo se sentiu frustrada com a carreira. Quando seu marido recebeu uma proposta de trabalho no Chile, decidiu que uma mudança de país seria uma ótima oportunidade para dar um tempo na profissão. Esta estada de oito meses no Chile, na qual passou escrevendo poesia, acabou sendo um divisor de águas na sua vida. Quando voltou para Porto Alegre, começou a escrever crônicas para jornal e, a partir daí, sua carreira literária deslanchou.

Gosto muito dos textos da Martha, por isso resolvi compartilhar um pouco sobre ela para vocês.
Espero que tenham gostado !!! Beijos e até mais

Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Olá Carol.
    Adoro Martha Medeiros. Ela tem umas cronicas muito boa.
    Tenho um livro dela apenas =/ Porém muito bom.
    O livro chama - se Fora de Mim, se um dia se interessar (;
    Beijooos

    http://leituradelua.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Olá Luana, a cada cronica, cada texto que leio da Martha , acabo gostando ainda mais dela !!! Muito show né
      Infelizmente não tenho nenhum livro dela, mas vou fazer questão de comprar um ainda esse mês
      Beijão

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  2. Amo essa escritora, seus textos sempre me tocam profundamente.
    http://ofantasticomundodairis.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Olá Iris, verdade viu, os textos dela são demais e também me tocam muito.
      Um super beijo e bom final de semana :D

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